Quarta-feira, Setembro 27, 2006


Outubro sabia, é claro, que o ato de virar uma página, de terminar um capítulo ou fechar um livro, não terminava uma história.
Tendo admitido isso, ele também declararia que finais felizes nunca eram difíceis de se encontrar: "É simplismente uma questão" Outubro explicou a Abril, "de encontrar um local ensolarado num jardim onde a luz é dourada e a grama macia; algum lugar para se descansar, parar de ler, e ficar contente."


_de O Homem Que Era Outubro, por G.K. Chesterton/Biblioteca dos Sonhos

Sábado, Setembro 23, 2006

Take Me Somewhere Nice...

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

quando a noite veio com todas suas trevas, ele seguiu para junto do túmulo de sua mãe e sentou-se próximo ao pé de cedro que crescera sobre aquele lugar. e chegou a sombra de uma grande luz no céu, e o jardim cintilou como bela jóia no seio da terra.

e almustafá clamou na solidão de seu espírito, dizendo:
"carregada com frutos maduros está minha alma. quem desejará vir e recolhê-los e se satisfazer? e há alguém de coração bondoso e generoso que queria vir e quebrar seu jardim em minhas primeiras safras ao sol e aliviar-me assim do peso sa minha abundância?

minha alma transborda-se com o vinho das idades. não haverá um sedento que venha e o beba?
vejam, aconteceu de haver um homem parado entre duas estradas que se cruzavam e ele dizia aos que passavam: 'tenham dó de mim. em nome de deus, peguem essas jóias das minhas mãos e assim irão confortar-me.'
os transeuntes, porém, não ligavam para ele, e ninguém quis saber de jóias.
melhor se ele fosse um pedinte estendendo a mão para receber - sim, uma mão trêmula que voltava vazia para seu peito - do que estendê-la cheia de presentes chamativos e não encontrar ninguém para aceitá-los.

e, de fato, houve um príncipe bondoso que montou suas tendas de seda entre a montanha e o deserto, e ordenou que acendessem uma fogueira, um sinal para o estranho e o errante. como postos avançados, mandou à frente seus escravos para vigiarem as estradas e trazerem um hóspede. as estradas e os caminhos do deserto, porém, estavam vazios, e eles não encontraram ninguém.
melhor seria se aquele príncipe fosse um homem sem pátria e sem relações, em busca de alimento e abrigo. ou, quem sabe, um vagabundo cujos únicos bens seriam seu cajado e uma tigela de barro. porque, se assim fosse, ele encontraria, ao cair da noite, seus iguais e os poetas sem raízes, e com eles seria solidário na penúria, nas recordações e em seus sonhos.

e, vejam, a filha do grande rei despertou de seu sono e vestiu suas roupas de seda, suas pérolas e seus rubis, espalhou almíscar no cabelo e mergulhou os dedos em âmbar. em seguida, desceu de sua torre para o jardim, pisando com suas sandálias douradas o orvalho da noite.
e no escuro silêncio, a filha do grande rei procurou amor no jardim, mas em todo o vasto reino de seu pai não havia ninguém que fosse seu amante.
melhor seria se ela fosse a filha de um lavrador, cuidando de seu rebanho num campo, e regressando à casa do pai ao anoitecer com o pó das estradas sinuosas nos pés, e o odor dos vinhedos nas roupas; e, quando a noite viesse e o anjo das noites pairasse sobre o mundo, ela fugiria para o vale do rio onde seu amante estaria à sua espera.
melhor seria se ela fosse uma freira num convento, com o coração ardendo como incenso exposto ao vento, e consumindo seu espírito como uma vela que subisse para uma luz maior, na companhia de todos que adoram e todos os que amam e são amados.
melhor seria se ela fosse uma mulher muito idosa, sentada ao sol a relembrar-se daquele com quem havia desfrutado sua juventude"

e a noite foi se tornando mais densa, e almustafá quedou escuro como a noite, e seu espírito era como uma nuvem compacta. e, então, ele gritou novamente:
"carregada está minha alma com seus frutos maduros; quem desejará vir colhê-los e se satisfazer? minha alma transborda-se com seu vinho. quem virá para bebê-lo, refrescando-se do calor do deserto?
melhor seria se eu fosse uma árvore sem flores e sem frutos. porque a dor da abundância é mais amarga do que a da esterilidade. e o desalento do rico de quem ninguém nada aceita é maior do que a tristeza do mendigo a quem ninguém dá nada.

melhor seria se eu fosse um poço completamente seco, e os homens jogassem pedras dentro de mim; porque isto seria melhor e mais fácil de suportar do que ser uma fonte de pura água corrente que os homens se recusam a beber.
melhor seria se eu fosse um ramo caído, pois isto seria melhor que ser um alaúde de cordas de prata numa casa cujo senhor não te dedos, e onde os filhos são surdos"


"a dor da abundância", o jardim do profeta de Kahlil gibran

se meu sonho for verdade, então tudo que conhecemos, tudo que pensamos que conhecemos, na verdade é uma mentira. quer dizer que o mundo é mais ou menos mais sólido e confiável quanto uma camada de espuma sobre um poço de águas negras, que continua eternamente para baixo. e há coisas nas sua profundezas que não quero nem pensar.
quer dizer que somos apenas bonecos. não temos a mínima idéia do que está realmente acontecendo. apenas nos iludimos de que estamos no controle de nossas próprias vidas, quando na verdade, há "coisas" que nos enlouqueceriam se penssássemos nelas por muito tempo. são "coisas" que brincam conosco, nos levam de uma sala a outra, e nos guardam a noite quando quando estão cansadas, ou entediadas.

conclusão de "the doll's house-part 7"
sandman

Quinta-feira, Setembro 07, 2006

_eu venho aqui quase todas as tardes pra ver o pôr-do-sol. esta uma beleza hj, hein?
_sim, parece que sim.
_vocês jovens não fazem idéia. eu costumava vir aqui com a mulher e os gêmeos. darrem foi morto no vietinã. sean e eu ficamos meio abalados quando ouvimos a notícia. ele bateu o carro, mas só eu me arrastei para fora. e, quando sai do hospital, eu e a mulher continuamos vindo aqui. daí ela teve um caroço no seio... bem... agora sou só eu. e ainda venho aqui ver o pôr-do-sol. sabe quase toda noite é uma beleza. e cada noite é diferente. daí eu penso... bem tive uma merda de vida, considerando tudo. não foi justo. todos que amei morreram, e minha perna dói o tempo todo... mas eu penso... qualquer deus que pode fazer um pôr-do-sol diferente cada noite... droga! você tem que respeitar o desgraçado, não tem? certo. se você ainda estiver aqui amanhã, eu te vejo então.
_posso estar aqui.
_você é hippie, não é? tudo bem, conheci uns hippies bons. até mais logo amigo.
_está bem. eu admito. ele tem razão. os pores-do-sol são maravilhosos, seu velho bastardo. satisfeito?_ disse lúcifer.



sandman

Domingo, Setembro 03, 2006














cada dia um novo.
no novo sempre algo se passa.
como a tempos estou.
seria mais necessidade,
já uma história do destino.
nunca me canso de estar assim,
talvez por isso recrescei.
sentir,
era isso que “extrañaba”.